Índice da Quinzena

Índice da Quinzena

14 de junho de 2005

  • A Briga PT x PSDB traz vantagens para a cidade?

13 de junho de 2005

  • O Mensalão da Perua

10 de junho de 2005

  • Monatiopia

09 de junho de 2005

  • Ponto de Encontro da Terceira Idade

08 de junho de 2005

  • Um grande passo para a cidade mundial

04 de junho de 2005

  • Big Brother a Nosso Favor

01 de junho de 2005

  • Viver as Mudanças da Cidade

 

 A Briga PT x PSDB traz vantagens para a cidade?

Ontem, ao longo do programa do PT, o que mais se viu foram críticas à Serra e a Alckmin, muitas delas fundadas, mas num tom altamente negativo, contrapondo-se com argumentações falaciosas.

Uma delas é que o Governo do Estado está transferindo a responsabilidade da educação básica para o Município. Ora isso é constitucional e o Estado ainda mantém, um grande número de escolas de 1º grau, que deveriam ser inteiramente assumidas pelo Município. Talvez agora, com a unificação partidária isso ocorra, apesar das resistências corporativas.

A propaganda partidária não é mais movida por questões programáticas, mas pelo marketing político. O objetivo é incutir no eleitor uma versão, não interessa se verdadeira ou falsa. É ainda uma forma de reforçar os argumentos dos partidários contra os adversários. Os argumentos são simples e repisados inecessantemente, até que se torne verdade.

Por outro lado, a demora de Serra em "deslanchar" e do Governo do Estado em resolver o problema da FEBEM, ajuda a consolidar as versões colocadas pelo PT.



Escrito por Jorge Hori às 06h38
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O Mensalão da Perua

Onde há fumaça há sempre fogo?

Os boatos na Câmara Municipal sobre a "cesta básica" eram comuns, na legislatura passada, da mesma forma que o tal do "mensalão" na Câmara dos Deputados era objeto de conversas, nem sempre tão veladas.

Com a denúncia do mensalão federal, voltou à evidência do mensalão municipal, colocada na Veja e prontamente refutada pela ex-Prefeita. A Veja cometeu uma maldade, com uma "pequena grande vingança". Tendo ganho o processo que Marta lhe moveu, colocou, de novo, a caracterização de "perua", dessa vez com sentido - efetivamente - pejorativo.

Marta tem todo o direito de mover a ação contra a Abril e poderá ganhar, por danos morais. Mas conseguirá reveter o estrago, que está contaminando - inteiramente - o PT?



Escrito por Jorge Hori às 06h23
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Monatiópia

A abertura da Daslu trouxe de novo à mídia, o termo Belíndia, que procuraria caracterizar a desigualdade de renda, juntando a Bélgica - de um lado - e a Índia de outro. A história tem mudado o quadro e a Índia, apesar de manter grandes bolsões de pobreza, com grande desigualdade de renda, vem apresentando um grande crescimento econômico sustentado. Algum economista indiano poderia dizer que a Índia seria uma Belzil, misturando a riqueza da Bélgica com a pobreza do Brasil (com z).

Atualizando a composição ficaria mais próxima de uma Mônaco, com poucos mas muito ricos e uma Etiópia, com o seu desfile de pobreza, fome e doença.

Isso porque, ao lado da Daslu permanece uma favela, antiga e remanescente da ocupação periférica.

Quando Sebastião Camargo comprou o terreno da Rua Funchal e resolveu construir lá a sua sede (que era na rua Líbero Badaró) foi muito criticado, porque ao lado era uma grande favela, que ia até os terrenos da Light. Mais tarde foi aberta a avenida, erradicando a favela, que foi se esconder ao lado da área da Eletropaulo (sucessora da Light), onde essa começou a construir a sua inacabada sede central (então em imóvel do grupo Camargo Correa, na Chácara Santo Antonio).

A transferência dos esqueletos da Eletropaulo a um grupo português, com a implantação do Templo Daslu, no conjunto menor, desvendou uma das poucas favelas remanescentes da Vila Olímpia. É a sentença de morte dela.

Será erradicada, muito em breve. A sua sobrevivência foi fruto da invisibilidade.



Escrito por Jorge Hori às 14h39
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Ponto de Encontro da Terceira Idade

Uma das alternativas para a revitaliação do centro está na Terceira Idade. Esta cresce , enquanto a população geral está estaganada ou até mesmo decresce.

Qualquer alternativa, no entanto, não depende apenas de vontade política, mas de condições competitivas com outras localidades dentro da própria cidade.

Outro dia, no final da tarde, ao buscar um café no Cristallo no Shopping Higienópolis me defrontei com um desses locais. Não havia sequer uma mesa vazia, a maioria tomada por pessoas da terceira idade, em grupos ou sozinhas. Tive que esperar uma senhora, provavelmente, com mais de 80 anos, sozinha, que estava tomando o seu café e se levantou com a sua bengalinha e uma sacolinha de compras.

São Paulo tem lugar para tudo e todas as oportunidades já encontraram o "seu canto". Levá-las para o centro velho é uma questão de competitividade.



Escrito por Jorge Hori às 09h32
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Um Grande Passo para a Cidade Mundial

A cidade de São Paulo dá um grande passo para se desenvolver como Cidade Mundial. Abre para o público (se é que se pode chamar a ínfima minoria de milionários de público) a nova Daslu.

Tem um novo templo de consumo da riqueza.

Seria um bom sinal se fosse a demonstração de desenvolvimento e enriquecimento da nação. Mas esta continua pobre e a riqueza decorre da concentração de renda. São os poucos que tem maior capacidade de apropriação de renda e que podem gastar os seus milhares ou milhões de reais em produtos supérfluos apenas para satisfação do seu ego.

É uma grave distorção estrutural da sócio-economia brasileira, mas é uma realidade. É preferível que seja visível, e que os milionários brasileiros gastem em São Paulo e não em Nova Iorque, Paris ou Londres. Geram empregos aqui.

Podem gerar impostos, desde que as Fazenda Públicas não fiquem deslumbradas com o luxo e sejam rigorosas na fiscalização.

O melhor seria que essa fiscalização nem precisasse ser rigorosa. O Templo Daslu tem a obrigação social de cumprir integralmente as suas obrigações tributárias. Não tem nem o direito de alegar que se tiver que pagar todos os impostos não será competitivo.

Seja bem-vindo e muito sucesso! Mas não conte comigo!



Escrito por Jorge Hori às 09h18
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Big Brother a Nosso Favor

A idéia de gerir a cidade a partir de um Centro de Controle Operacional tem ganho adeptos, dada a recorrência de problemas e a disponibilidade de tecnologias para um conhecimento, informação e atuação melhor.

As recentes enchentes mostraram a viabilidade dessa modalidade de gerenciamento e, ao mesmo tempo, a precariedade dos sistemas implantados, o que prejudicou a eficácia.

Um CCO pode ajudar muito no gerenciamento de emergências, mas não só nessas situações. Um centro como esse precisa estar operando permanentemente, com dois objetivos fundamentais: prevenir para evitar a ocorrência da emergência e informar ao cidadão.

O cidadão tem o direito de ser informado sobre eventuais ocorrências na cidade e evitar se envolver em congestionamentos.

Uma das principais reclamações de pessoas que ficaram presas na Marginal do Pinheiros (e provavelmente em outras localidades), coincidentemente diante do Cadeião de Pinheiros (de tal forma que quando uma delas telefonou pelo celular avisando que estava preso, a dúvida para os receptores da ligação se ele estava preso dentro ou fora da cadeia), foi não ter sido avisado previamente de não seguir adiante, de sair antes para evitar o transtorno.

O rádio tem sido um dos principais instrumentos de comunicação e aviso aos cidadãos, mas a sua cobertura é insuficiente e em caso de fortes chuvas, os próprios helicópteros das emissoras tem restrições.

Atualmente há tecnologia disponíveis para o estabelecimento de sistemas mais amplos, rápidos e eficazes. Em vez de grandes e onerosas obras, que atendem apenas uma parte da população, um sistema de gerenciamento amplo e holístico pode ajudar muito mais esta cidade funcionar melhor.

"Big Brother" é uma realidade inexorável. O Grande Irmão estará olhando tudo. É preferível que os sistemas sejam usados a favor do cidadão e não contra ele.

Mais que um problema de tecnologia e de investimentos, o maior problema ainda é cultural. É uma nova forma de administrar para a qual os administradores não foram formados e ainda tem grandes resistências.

A realidade e os desafios, no entanto, estão contribuindo para a mudança de paradigmas.



Escrito por Jorge Hori às 17h33
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Viver as Mudanças da Cidade

Um dos objetivos deste blog é tentar perceber mudanças significativas na evolução (ou involução) desta cidade, pinçando em alguma notícia esparsa alguma mudança significativa de rumos.

A Prefeitura é sempre um ator importante e a propaganda política é um meio de comunicação para mostrar o que ela está fazendo ou pretende fazer. Até agora só está apagando incêndios. Reclama da herança "maldita" deixada pela administração anterior, mas está "tapando buracos", corrigindo falhas, propondo a fazer o que não foi feito. Tem inventado "factóides", que não alteram significativamente o curso das coisas. São intervenções tópicas, como o da Cracolândia ou o combate à pixação, sem enfrentar as questões estruturais, de tal foma que o problema retorna, mais à frente.

O setor privado também não parece apresentar grandes novidades. Os fatos significativos - já citados - foram as mobilizações populares, com a Avenida Paulista como o grande "locus" da reunião das massas. São Paulo está se tornando uma cidade "gay"? Será uma cidade "gay" local, regional, nacional ou global? As autoridades do turismo se referem a um grande volume de turistas para a parada. São Paulo está se transformando numa cidade mundial "gay"? Esta pode ser uma importante transformação em curso.

Mas de for pelo volume de mobilização, São Paulo está se transformando num polo evangélico. Daqui a algum tempo, a quantidade de evangélicos poderá superar a de católicos. O que significará isso para a cidade?

De um lado existe um fator positivo: a ocupação de imóveis abandonados pelas mudanças de hábitos e crises econômicas. As salas de cinema isoladas foram perdendo a concorrência para as salas nos shopping centers e, com isso, entrando em decadência e sendo fechadas. A reocupação pelas igrejas evangélicas foi uma solução para a preservação do imóvel, que - fora disso - tinha como alternativa virar um estacionamento (eventualmente com a sua demolição). Para a cidade, ter o antigo cinema ocupado - ainda que por uma igreja que o mantém (ainda que precariamente) - era melhor do que ficar abandonado. Para o erário público pode não representar um ganho, em função das renúncias fiscais.

De outro lado, há uma degradação arquitetônica. Não só na ocupação dos imóveis abandanados, como acima colocado, mas das novas construções. A Igreja Católica desenvolveu uma arquitetura religiosa que tem atravessado séculos. Já os grandes e espalhafatosos tempos das Igrejas Evangêlicas ... (sem comentários, para não ofender).

O mercado imobiliário aparenta alguma novidade. Voltou a predominar o lançamento de apartamentos de classe média, com dois dormitórios. Para o mercado é o aproveitamento das inovações no sistema de financiamento.

Para a cidade representa uma "verticalização" da classe média. Como, aparentemente, ela não está crescendo e até mesmo regredindo (em função das dificuldades econômico-sociais) estaria deixando as suas "casas germinadas" para mudar para um apartamento. Estariam deixando o aluguel para uma casa própria, ou melhor um apertamento próprio, com pequeno espaço próprio, mas cercado de complementos, sendo o principal a garage para o carro.

Na prática, isso significa um desandensamento demográfico (menos pessoas por área de chão) e uma migração entre bairros. O principal reflexo será sobre o trânsito e os transportes.



Escrito por Jorge Hori às 04h00
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